“A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente  se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma”

 

Hoje era um domingo perdido de todo. Fechadas as portas do bom humor. Mas tudo pode melhorar. Dezembro também pode, esse ano sem fim também pode. Cabe alegria onde eu desejar. No Rio de Janeiro ou no Lago Jacareí. E algumas coisas precisam ser ditas enquanto não chega a meia noite: elegância é fundamental, beijos são vias de mão dupla, saudade não mata, tudo se resolve, as coisas mais simples encantam.

Vou dormir e sonhar. “É melhor ser alegre que ser triste”.

Hoje tenho duas coisas a dizer:
1. Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz.
2. Não me convidem a ser igual porque, sinceramente, sou diferente.

[1. Teatro Mágico 2. Clarice]

“E tome tento
Fique esperto
Hoje não tem papo
Jogo-lhe um quebrante
Num instante
Você vira sapo
Bobeou na crença
Príncipe volta
Ao seu posto
De lenda…”

[Céu]

Hoje é dia 23 de junho. Estou com raiva por muitos motivos. Sei o principal deles e não tenho coragem de ligar o foda-se.  É minha saúde mental em questão aqui, sério! Então olho pela janela e procuro os motivos sinceros pra rir um pouco. Acho algumas idéias raras, desenhos estranhos em nuvens, sorte nas cartas, telefonemas engraçados no meio da tarde. Escolher entre estar feliz e triste não é fácil e não é simples. Mistura enlouquecida, um parto. Sou às duas coisas juntas, sentada num meio fio, observando as pessoas passarem. Tem tanto sentimento no mundo todo. Tem tanto livro pra ler. Tem tantas tardes de sábado [as melhores, porque ainda é sabado]. Aviso aos navegantes: é tudo junto e misturado, bora viver!

[flash back] A Virginia me deu uma foto do Italo muitos anos atrás. Ela selou nossa amizade com confiança e essa foto. Italo, o da foto, se tornaria um amigo feliz nesse meio tempo de caminhos tortos. Allyson Bruno trouxe com ele a dança e a engraçada intolerância com amenidades. Era um tempo em que dançar todas os sábados fazia mais sentido. Hoje, não mais. André, o cavalheiro da triste figura, me falou de poesia todos os dias em que esteve em minha presença. Devo a ele a beleza dos dias, aparentemente, simples. Nivea veio pelos olhos de Veruzza e pela música Alcalina. Veio pra ser o meio entre nós duas. Markinhos apareceu com um desenho de chuva debaixo do braço. James, então, mandou um desenho e um amigo. Foi um grande presente de aniversário e ele nem sabe, talvez.
– Tem tanta gente no mundo, já disse, nem todos citados de uma vez, nem todos esquecidos por vez, nem todos conhecidos. Só há gente passando e eu aqui, lembrando. I’ll be there for you.

Julieta,
    Enqaunto você vagava pela eternidade com seu Romeo (assim os românticos e Shakespeare esperam), por aqui comemorávamos o dia dos Correios e Telégrafos e o dia dos namorados. Muitas pessoas apaixonadas pela pessoa certa, outras tentando se apaixonar pela pessoa certa e outras tantas também vagando pela eternidade, minha querida. 
    Inventamos um jeito complicado de nos relacionar e amar, aviso. E tudo era mais simples na época das janelas altas, difíceis de escalar. Impossível de esquecer, fácil de lembrar. Ficou difícil para nós dizer eu te amo e, quando dizemos, nem sempre é real. Quando é, um peso enorme recai em nossas costas. Responsabilidades e pressões. Era fácil morrer de amor, Julieta. Hoje, não mais. Se esquece, recupera-se e segue-se adiante. Litros e litros de sorvete sorvem as lágrimas dos amantes.
    Mas há os que ainda guardam uma boa perspectiva do amor. Acreditam que os romances podem dar certo. Há os que desejam mãos dadas, apesar das mortes e do trânsito e da bolsa de valores. Há os que esperam envelhecer juntos. E juram que poderá dar certo, no final das contas. Não esperam o fim e esse é o grande segredo.
    Que indelizadeza a minha a de falar em finais pra você, que conhece tão bem a palavra. Mas transformaram você num mito, mulher! Todos querem alcançar este nível de amor absoluto que você viveu. Mas não sei bem o motivo, já que vocês não envelheceram juntos, não tiveram filhos ou cachorros ou um quintal. Não tiveram ciúmes, DR’s, aborrecimentos com encanamentos. Talvez por isso conseguiram virar exemplo de amor, porque não viveram o amor. Desculpe mais uma vez a falta de gentileza, mas talvez você tenha escapado das durezas do amor. Mas que pode, suponho, continuar amor.
    Por aqui, continuamos seguindo sempre. Uns amando mais do que podem, outros na medida certa, uns achando que nunca encontrarão seus Romeos e outros tantos vivendo tantas histórias de amor anônimas nesta breve vida. Tive sorte, Julieta. Apaixonar-se continua sendo o ponto alto da minha vida. Por tudo e sempre. Havia frio na barriga, corações disparados, falta de ar, na sua época? Morrer de amor continua sendo lindo de ler. Pra viver, preferimos, por aqui, amores difíceis, complexos, desse mundo louco que criamos.
    Lembranças a Romeo, para o caso do Espiritismo estar certo. Um beijo sem veneno, Julieta.
    Andrea

Havia sinais por onde passava. Quatro elementos. Nuvens e seus desenhos. Borras de café no fundo da xícara. Havia bruma. Pés na areia fria e olhos fixos no mar. Meio verde, meio azul. Lembrou de quando estavam simples as coisas e que estava distraída quando tudo aconteceu.

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Não estou aqui. Estou ali. Meu irmão é um homem sábio. ‘A gente se vê… corta pra São João com Ipiranga’. Xico Sá acaba comigo, como diz Van.  Haverá outros dias bons, não sei de hoje. Não sei ser assim ou assado, desse molde. Meio pela metade. Só sei ser assim alegre e falando alto. Assim são os araújos. A lua, a saber, está crescente. Ela sorri,  é um guia e tanto. A-r-r-e-b-a-t-a-d-o-r [é pra arrebatar a dor] é pra ser. 

Ouvi uma coisa interessante hoje, que o que nos impede de sermos felizes é essa busca louca pela felicidade a todo custo. Estressante. Às vezes não dá e ponto. Por que não relaxamos, pedimos um café, falamos abobrinhas e sorrimos um pouco? O próximo elevador deve chegar em breve.

Promessa é dúvida. Sempre. Não há como descobrir ou prever. Na falta de controle remoto, o jeito é transformar tudo em algo bom e leve. Se não for assim, há tempos digo pra qualquer um: não serve. Há amores de muitas cores. Nos melhores, não jogamos. Jogos de azar. Há o desejo de dizer o que se quer dizer e se diz. Há um abismo entre as paixões e os medos. E ao mesmo tempo uma linha tênue. Você fica ou vem? Na boca, prefiro os beijos. Vários, não menos , não poucos. Intensos.  Vermelhos. Beijos bons são os que cantam uma trilha sonora toda de história. Uma história nova, ainda não contada. Mas com a qual, estranhamente, sonharam. 

A saber: redescobri meu lar com meus amigos. Coloco meus tênis vermelhos e saio. Eles me guiam – os amigos e os tênis.
Tocando:  Mombojó, Deixe-se acreditar [sim, esse é o reino da alegria!]

Estou musical esses últimos dias. Revisitas e achados [obrigada pela Eliza Doolittle, James! Adorei Skinny genes!]. The Smiths me deixa quase triste, mas quase triste é bom, por vezes. Chico me fala do real do amor e das coisas que não entendo muito bem, mas tento. Nando Reis [show dia 22/5!] é tópico de reencontro, sempre. “A letra A do seu nome, abre essa porta e entra. Na mesma casa onde eu moro, na mesa que me alimenta. A telha esquenta e cobre quando de noite ela deita. A gente pensa que escolhe, se a gente não sabe inventa. A gente só não inventa a dor, a gente que enfrenta o mal, quando a gente fica em frente ao mar a gente se sente melhor”

Duas coisas: há luz nas trevas, digam as cartas o que disserem, e molhei meus pés no mar hoje e dei novamente restart.

[cinco músicas pra ouvir e sorrir e lembrar e entender e esquecer]

1. Grão de Amor | Arnaldo Antunes | Disco> Saiba, 2004 | “…me deixe só até a hora de voltar…”
2. Sonnet | The Verve | Disco> Urban Himns, 1997 | “my friend and me looking through her red box of memories…”
3. Relicário | Nando Reis | Disco> Para quando o arco-íris encontrar o pote de ouro, 2000 | “…sua cartilha tem um A de que cor?…”
4. Trocando em miúdos | Chico Buarque | Disco> Chico Buarque, 1978 | “…eu bato o portão sem fazer alarde…”
5. Romeo and Juliet | Dire Strait* | Disco> Romeo and Juliet, 1980 | “…says something like, ‘You and me babe, how about it?…”

* aqui, num cover ótimo do The Killers

Na vitrola um disco que já tinha caído no esquecimento. Ouço-o mais uma vez e guardo novamente. Porque é de esquecimento que nasce a saudade. Marcelo Camelo me diz: Posso estar só, mas sou de todo mundo, por eu ser só um. Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá! Solidão, foge que eu te encontro, que eu já tenho asa. Isso lá é bom, doce solidão?

Enquete em Macondo: o que cabe nos seus sonhos? 

 [aos desavisados, este é Sandman, o que guarda os sonhos]

Acho que tenho novas rugas e novas chances. É feito de doces as novas possibilidades e Drummond disse para eu me cuidar com a chuva que cai em todo lugar da alma. É forte sofrer em silêncio e é burro achar que se está sozinho, por mais que queira estar. Gandhi sofreu de amores pela humanidade e Kurt morreu de tédio. Tanta gente no mundo para ler e conhecer e eu parada aqui neste ponto de encontro. Othelo diz, por enquanto, sai desse papel e vem dormir pra sonhar com novos rumos. Eu vou.

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Ouvindo Arnaldo Antunes porque a  “… a tristeza é uma forma de egoísmo…”