Julieta,
Enqaunto você vagava pela eternidade com seu Romeo (assim os românticos e Shakespeare esperam), por aqui comemorávamos o dia dos Correios e Telégrafos e o dia dos namorados. Muitas pessoas apaixonadas pela pessoa certa, outras tentando se apaixonar pela pessoa certa e outras tantas também vagando pela eternidade, minha querida.
Inventamos um jeito complicado de nos relacionar e amar, aviso. E tudo era mais simples na época das janelas altas, difíceis de escalar. Impossível de esquecer, fácil de lembrar. Ficou difícil para nós dizer eu te amo e, quando dizemos, nem sempre é real. Quando é, um peso enorme recai em nossas costas. Responsabilidades e pressões. Era fácil morrer de amor, Julieta. Hoje, não mais. Se esquece, recupera-se e segue-se adiante. Litros e litros de sorvete sorvem as lágrimas dos amantes.
Mas há os que ainda guardam uma boa perspectiva do amor. Acreditam que os romances podem dar certo. Há os que desejam mãos dadas, apesar das mortes e do trânsito e da bolsa de valores. Há os que esperam envelhecer juntos. E juram que poderá dar certo, no final das contas. Não esperam o fim e esse é o grande segredo.
Que indelizadeza a minha a de falar em finais pra você, que conhece tão bem a palavra. Mas transformaram você num mito, mulher! Todos querem alcançar este nível de amor absoluto que você viveu. Mas não sei bem o motivo, já que vocês não envelheceram juntos, não tiveram filhos ou cachorros ou um quintal. Não tiveram ciúmes, DR’s, aborrecimentos com encanamentos. Talvez por isso conseguiram virar exemplo de amor, porque não viveram o amor. Desculpe mais uma vez a falta de gentileza, mas talvez você tenha escapado das durezas do amor. Mas que pode, suponho, continuar amor.
Por aqui, continuamos seguindo sempre. Uns amando mais do que podem, outros na medida certa, uns achando que nunca encontrarão seus Romeos e outros tantos vivendo tantas histórias de amor anônimas nesta breve vida. Tive sorte, Julieta. Apaixonar-se continua sendo o ponto alto da minha vida. Por tudo e sempre. Havia frio na barriga, corações disparados, falta de ar, na sua época? Morrer de amor continua sendo lindo de ler. Pra viver, preferimos, por aqui, amores difíceis, complexos, desse mundo louco que criamos.
Lembranças a Romeo, para o caso do Espiritismo estar certo. Um beijo sem veneno, Julieta.
Andrea

13 comentários
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14/06/2010 às 1:56
D E N N I R
Querida andrea…
Teu beijo não precisa do veneno, já que tão singela carta o contém, tadinha da jú!
BICHA MÁ!!!
14/06/2010 às 2:06
Andrea
Minhas intenções foram as melhores, querido Dennir [rs]
14/06/2010 às 15:16
Van
Será que Julieta morreria de amor hoje? Eu sim.
14/06/2010 às 16:23
Andrea
Acho que nos proibiram morrer de amor, Van.
14/06/2010 às 16:31
Lara
Namorar é inspirar o amor. Você com seu gentil veneno inspira o amor real, simples assim
14/06/2010 às 19:25
Andra
Andra
…Será que ela vai ficar sentida com a carta?? Sabe como são essas pessoas que morrem por amor!!! Muito sentimentais… Neste mundo onde a descrença no amor só acontece…acho que to cansada, nem sei se quero morrer ou matar, amar então…pode ser amanhã????!!!!!!!???
Porque hoje o que mais peço é paz!!!
Te amo!!
14/06/2010 às 19:30
Andrea
Tomara que não, Andra. Longe de mim infernizar tão nobre dama nessa altura do campeonato. Só joguei a real pra ela saber qual é… rs
14/06/2010 às 19:26
Virginia
E continuamos assim, buscando. O amor de hoje. Talvez o de sempre.
Manda beijos meus quando falar com ela, Julieta, de novo.
14/06/2010 às 19:30
Andrea
Buscando sempre.
15/06/2010 às 3:40
Isabelle
Acho que Julieta morreria nesses tempos de hoje, mas não por ou de amor, e sim pela falta dele…
19/06/2010 às 4:22
Ana Léa
Pois é.. com a crise dos carteiros.. será que Julieta receberá essa carta.. tadinha..vai ficar pensando… como viveria – se não tivesse morrido- o (por) amor! Enfim.. e sobre esse sentimento que não explicamos…vivemos…
Deixo um trechinho de uma música que -com certeza-é de alguém que sabe falar sobre o amor e suas variadas expressões!!
“Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor…
…Mentira!”
20/06/2010 às 1:33
Andrea
amar é bom, pra alegrar… hahahahaha
19/06/2010 às 4:24
Ana Léa
* A Crise é dos correios.. e não dos carteiros!! kk
** Samba do Grande Amor….Chico Buarque.